Órfão da Justiça IV
O grande truque da nossa legislação e de nossa justiça é deixar a coisa mal amarrada de forma a permitir, no mínimo, duas boas e válidas interpretações contrárias. De forma que possamos ter apenas uma lei mas que julgue diferentemente os amigos e os inimigos. Vemos exemplos disso desde com o guarda de transito, até no supremo, passando pelo legislativo e executivo inclusive.
Além disso tem um segundo truque, a coisa só vale mesmo (para alguns) depois de julgado em última instância. Com a velocidade do nosso judiciário e com a corrupção reinante, isso equivale a dizer que vai pra cadeia só quem não tem influência para ficar fora dela.
Leia-se por influência desde advogados caros, onde o senso de justiça praticamente inexiste, substituído pela sensação de poder e esperteza, até o sorriso, o decote, o agrado ou a lábia, usados como ferramenta nos nossos intermináveis tramites burocráticos e legais do nosso dia a dia.
Como exemplos atuais temos o Pimenta Neves em casa (mesmo sendo assassino confesso), Maluf sendo diplomado Deputado (conseguiu agora ganhar um fôlego extra, com o foro privilegiado), todos deputados do mensalão e os sangessugas nas ruas (faltou provas mais contundentes ou decência mesmo?), e o legislativo tendo seu aumento de salários revogados (pela pressão da opinião pública, o supremo "descobriu" que o decreto não era mais válido, mas os presidentes da câmara e senado "não sabiam"!)
Alguém vê alguma luz no fim do túnel?
Afora uma mobilização monstra da sociedade botando na rua essa turma toda, eu não...

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