quinta-feira, junho 07, 2007

Um difícil começo...

Fico pensando nessa garotada, abrindo seu caminho nos negócios, na vida adulta... O que me vem a cabeça é: como é complicado encontrar esse seu caminho...

Para mim, que sempre tive um "Q" de inconformismo nas veias, não foi fácil.

Me lembro que mais do que não querer ter "chefe", eu como engenheiro, me irritava com o fato de que qualquer coisa que fizesse estava subjugada a mais que "chefes", estava engessada, estava baseada em "velhos"... Velhas técnicas, velhos professores, velhas didáticas, velhos critérios de avaliação, velhos livros, velhos exemplos... Senti que eu procurava um canto, e técnico, afinal eu não era engenheiro por acaso, onde eu pudesse explorar. Onde o que eu fizesse não fosse julgado por alguém que estivesse sentado em algum trono de conhecimento superior ao meu. Essa impressão de ter sua produção contínuamente avaliada por um "conhecimento" sempre superior me era bem incomoda. Eu queria ter o sabor da descoberta, da inovação, da aventura no que estivesse fazendo.

Não encontrei isso nos cálculos estruturais, nos projetos, nas obras, nas técnicas mais recentes de construções, nos novos materiais. Cheguei a me aproximar dessas novas técnicas e materiais, que na época eram construções com solo-cimento, fibras naturais, pumex (blocos de uma "espuma sólida" tipo chocolate suflair, que tornava o material bem mais leve), técnicas construtivas das mais diversas... Mas tudo isso não era propriamente novo, eram apenas velhos re-arranjos, e não eram realizações individuais, eram de grupos, empresas, corporações... Parecia que a idéia de ser um "professor pardal" era inacessível. O "cientista" só podia existir submetido ao velho e aos chefes... :-( :-( :-(

Mas... de repente apareceram meus amados e odiados Steve Jobs e Tio Bill Gates...

Com eles vieram um mundo de novidades que ainda não tinham sido escritas, chefiadas, padronizadas... Um mundo onde o novo existia, onde era possível você se aventurar, descobrir... Nada estava nos livros. Os professores (eu tive professores de informática na Poli) não eram disso! Eles conheciam outro mundo, esse sim padronizado, engessado, subjugado.. O mundo do Cobol, do Fortran, dos cartões perfurados, das mainframes. Um mundo onde tínhamos que marcar hora para usar os computadores. Onde entregávamos nossa série de cartões perfurados e um pequeno erro faria com que todos fossem devolvidos como "instrução inválida", um mundo de velhos livros, velhos mestres, um mundo velho, apenas travestido de "novo". Um mundo das corporações, do "caro", onde o indivíduo era apenas mais uma peça.

Mas o mundo do Apple e do Basic era outro! O Apple era nosso, expansível, aberto. O Basic era novo, extrapolava o que estavam nos livros... comandos novos, novas idéias, novos recursos... E que aumentavam a cada nova versão... Vc dependia de sua própria capacidade para julgar o que era bom e útil ou não... Nós éramos as cobaias... Nos éramos a banca julgadora, nós éramos os escritores, os professores, o objetivo... Nós... enfim... sem chefes... nós criávamos, nós sabíamos o melhor caminho....

Esse mundo foi (ainda é) tão grande que não sei para onde dar o destaque... As primeiras planilhas eletrônicas, como o Visicalc, o Lotus 123, as dezenas de novas linguagens, como os diversos Basic´s, Pascal, Logo, as "combinações" de linguagens com ambientes, planilhas ou bancos de dabos, como o TMaker, DBase, Turbo-Pascal, e isso sem falar na área mais underground como "C", assembler, Unix. Os primeiros BBS ou CBBS (computer bulletin board sistem), os modems, as primeiras redes, o nascimento da internet...

O resto da história está por aí... Os velhos dessa peça, os dinossauros somos nós... Temos 50 e poucos anos... Pude esticar minhas asas... pude aprender a voar... e Isso não tem preço...

Bem... o que quero dizer com isso é que mesmo no competitivo e estruturado mundo atual, sempre existirá uma brecha para você encontrar seu caminho. Pode ser que seu caminho seja mais fácil do que o meu, com menos inconformismo, mais sintonizado, mas pode ser que seja ainda pior... Mas não desanime, não perca o foco, seu lugar está aí, e em geral não está muito longe de onde você o procura. Se você não está fazendo um curso ou treinamento avançado para tentar ingressar na Nasa, isso provavelmente quer dizer que seu destino não está lá... Nós somos meio burros, meio cegos, ... mas não tanto...

Observe com cuidado onde você tem seus destaques, onde estão suas potencialidades, onde está seu fogo, onde estará seu foco... Lá estará sua resposta...

Boa sorte...

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