Saudosismo...
Ouvindo "Uma tarde em Itapoã" do Vinícius e Toquinho me bateu uma baita melancolia...
Não uma melancolia simples daquela onde nos entristecemos por estarmos ficando mais velhos, por darmos uma pausa para olharmos para trás... Mas uma melancolia "de verdade", aquela com alma, com história, com o peso da cultura e da sensibilidade, da poesia, da ampla visão do mundo, do romantismo...
Não deixamos só o passado para trás... Deixamos tudo isso... Perdemos poetas do naipe de um Vinícios de Moraes, e o que é mais grave, não fizemos nada para repovoar nosso mundo com gente à altura...
Itapoã ainda existe? Ainda existem aquelas areias, aquele vento, aquele mar, aquela mágica? Existem ainda o romantismo das verdadeiras baianas, do jardim de alá e o som de seus coqueiros? E a cultura, a sensibilidade e inteligência para captar tudo isso e traduzir para os menos capazes ou mais afoitos, existe?
Acho que não... Infelizmente não...
No lugar existe axé, o som bombando... Existe o superficial e agitado canto de uma Daniela Mercury, existem as pernas de uma Ivete... Existem os atuais porem "velhos" baianos, porque os novos ficaram no passado...
Quem substituirá Caetano? E Caymmi, Bethania, Gal, Toquinho? Chico Buarque tem algum herdeiro artistico à altura? Existe algum Jobim despontando por aí?
Pois é... Lá fora morreram Fred Mercury, morreram Beatles e junto morreram parte de nossa cultura, parte de nossa história... Aqui vamos pelo mesmo caminho...
Será que os mais jovens percebem essa estiagem? Percebem que apenas uma Marisa Monte aqui, um Arnaldo Antunes ali ainda é pouco?
A população mundial praticamente triplicou desde minha infância... Triplicaram também os estilos, os decibéis... Mas a qualidade, os Músicos, com maiúscula, ou Musicas, também com maiúscula... Qual vai ficar na história como ficaram "Uma tarde em Itapoã", "Garota de Ipanema", "Aguas de Março", "Samba do avião", "Anos Dourados", "Gente Humilde"?
E "Noite dos mascarados", "Este seu olhar", " Eu sei que vou te amar", "Fotografia"?
Pois é, fica o dito e o redito por não dito, e é difícil dizer que foi bonito, é inútil cantar o que perdi...
