O outro lado da meia noite...
Para diversos e importantes advogados criminalistas, os indícios revelados até agora não são suficientes para comprovar a culpa de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá. Eles acreditam que falhas na investigação possam ter contribuído para a ausência de provas cabais que comprovariam de quem é culpa.
“Para condenar, precisa de prova. Qualquer dúvida, tem de absolver. Há o risco de o culpado não ser encontrado.” "Um exame nas unhas do casal, logo após a morte de Isabella, eliminaria dúvidas."
“Tecnicamente, com base no que foi divulgado até agora, ainda não dá para imputar a autoria do crime ao casal. Não existe crime perfeito, mas pode existir uma investigação imperfeita que acabe inconclusiva”.
A liberação do apartamento à família – o imóvel só foi lacrado definitivamente quatro dias após o crime – e os diversos retornos da perícia ao prédio são os principais alvos de crítica.
Assim como a cena do crime pode ter sido alterada, os criminalistas dizem que indícios de um terceiro suspeito possam ter desaparecido devido à não-preservação do apartamento após a morte de Isabella.
Para outro advogado criminalista, a polícia foi precipitada ao revelar, logo após o crime, suspeitas em relação ao pai de Isabella. “A autoridade policial tem de manter a discrição e a serenidade."
A prisão temporária do pai e da madrasta, por oito dias, também foi criticada. “Um grande erro”.
Pressionados pela imprensa, delegados e investigadores andaram divulgando boatos e meras hipóteses como se fossem informações verdadeiras. Alguns equívocos que resultaram desse comportamento:
• Dois investigadores relataram que, horas antes de sua morte, Isabella teria recebido um safanão de Nardoni, durante uma festa no salão do prédio onde moram os pais de Anna Carolina. Essa festa não ocorreu e as investigações não confirmam se Nardoni repreendeu ou agrediu a filha antes do crime.
• A polícia afirmou que o casal teria usado uma fralda e uma toalha para estancar o sangue que escorria da testa da menina. Agora, informa que a toalha não existe.
• Policiais disseram que havia uma marca de sangue na sola do sapato de Anna Carolina. Não havia.
• O casal foi inquirido sobre o sangue no banco traseiro do carro, que, segundo os investigadores, pertenceria a Isabella, mas no laudo está escrito que é impossível determinar de quem é o sangue.
• Indagado se há provas que não deixem dúvidas de que o casal cometeu o crime, o representante do MP apenas disse que a lei "não exige nesse momento prova contundente de responsabilidade criminal".
• Outro ponto é que 14 minutos não são o suficiente para a subida ao apartamento com 3 crianças, uma discussão, um assassinato e a posterior limpeza das evidencias na cena do crime.
• O proprio promotor ressaltou que não há nenhuma testemunha que tenha visto a família inteira subindo no elevador na noite do crime, como havia informado anteriormente.
Sobre a adulteração da cena do crime, o avô de Isabella disse que no dia seguinte à morte da menina três policiais civis foram até o apartamento, abriram a geladeira, consumiram alimentos, arrastaram um sofá e assistiram televisão.
"Os policiais do 9º DP, Jair, Espínola e Teo, entraram no apartamento pra fazer uma investigação e sem avisar ninguém, abriram a geladeira, tomaram Coca-Cola, comeram todos os ovos de Páscoa das crianças, sentaram no sofá e assistiram televisão. Fizeram a maior farra lá. Isso aí ninguém fala".
Até o presidente Lula criticou a "pirotecnia" que envolve o caso Isabella e pediu cuidado no tratamento do assunto. Segundo ele, o caso está sendo comentado "24 horas por dia" e pediu cautela no julgamento do pai e da madrasta de Isabella. "O que eu acho grave é que, nesse caso da Isabela, mesmo que o casal seja inocente, eles já estão condenados. Eu acho que é preciso tomar cuidado ao tratar dessas coisas, porque são vidas que estão em jogo e vidas destruídas que dificilmente se recuperarão."Serra também acrescentou que prefere aguardar o pronunciamento do Ministério Público e da Justiça para a conclusão do caso.

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