quinta-feira, setembro 11, 2008

Olho por olho...

Esse papo de olho por olho e dente por dente não se trata apenas de raiva, de vingança... Muito pelo contrário, está demostrado que é a unica estrategia vencedora... E isso sem levar nenhuma emoção em conta...

Já ouviu falar do famoso Dilema do Prisioneiro, um dos jogos mais simples e fascinantes que existem?

O nome vem do cenário mais comum para o jogo, envolvendo dois prisioneiros em celas separadas. Os dois são interrogados separadamente. A cada um é oferecida a liberdade caso decida entregar o outro. Se um trair o companheiro, sai livre, enquanto apenas o outro pega uma pena pesada. Se ambos permanecerem em silencio pegam uma pena mais leve e se ambos trairem pegam pena média.

A perversidade da coisa é que, racionalmente, sempre vale a pena trair. É só fazer as contas... Porem deve-se considerar um detalhe: isso vale para um horizonte pequeno, de apenas uma jogada, por exemplo.

Porem anos atrás, o cientista político americano Robert Axelrod organizou uma série de competições envolvendo o Dilema do Prisioneiro com uma “sombra do futuro” longa, de 200 rodadas. Axelrod convocou cientistas de todos os calibres para elaborar estratégias – programas de computador que competiriam uns contra os outros para ver quem levaria mais pontos no jogo. A pontuação era o equivalente matemático dos resultados do dilema: uma recompensa considerável quando os dois jogadores cooperassem, uma recompensa gigante para o traidor no caso de seu oponente não trair, uma punição severa para ambos caso os dois traíssem.

Dezenas de programas diferentes se enfrentaram, num esquema todos contra todos, e a pontuação foi computada. O vencedor? Um programa tão simples que seu criador, o finado psicólogo americano de origem russa Anatol Rapoport (1911-2007), só precisou de quatro linhas de código computacional para montá-lo. Seu apelido? “Tit for Tat” ou “Olho por Olho”. As instruções envolviam, primeiro, sempre cooperar na rodada inicial do jogo. Depois, o programa era orientado a copiar a jogada de seu oponente na rodada anterior. Se ele cooperava, o Olho por Olho também cooperava; se traía, ele retaliava a traição.

Duas características do Olho por Olho saltam aos nossos olhos como essencialmente morais. Ele não é maldoso, ou seja, nunca inicia um ciclo de traições. E não é rancoroso: se você for bonzinho com ele, a cooperação será constante, e ambos sairão lucrando sem parar. Finalmente, ele não é um idiota: deixa claro que há conseqüências sérias para o ato de passar a perna nos outros só para levar vantagem. Essa combinação se mostrou tão vencedora que nenhuma simulação do Dilema do Prisioneiro até hoje conseguiu trazer à baila um programa que derrotasse o Olho por Olho.

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