Olho por olho...
O nome vem do cenário mais comum para o jogo, envolvendo dois prisioneiros em celas separadas. Os dois são interrogados separadamente. A cada um é oferecida a liberdade caso decida entregar o outro. Se um trair o companheiro, sai livre, enquanto apenas o outro pega uma pena pesada. Se ambos permanecerem em silencio pegam uma pena mais leve e se ambos trairem pegam pena média.
Dezenas de programas diferentes se enfrentaram, num esquema todos contra todos, e a pontuação foi computada. O vencedor? Um programa tão simples que seu criador, o finado psicólogo americano de origem russa Anatol Rapoport (1911-2007), só precisou de quatro linhas de código computacional para montá-lo. Seu apelido? “Tit for Tat” ou “Olho por Olho”. As instruções envolviam, primeiro, sempre cooperar na rodada inicial do jogo. Depois, o programa era orientado a copiar a jogada de seu oponente na rodada anterior. Se ele cooperava, o Olho por Olho também cooperava; se traía, ele retaliava a traição.
Duas características do Olho por Olho saltam aos nossos olhos como essencialmente morais. Ele não é maldoso, ou seja, nunca inicia um ciclo de traições. E não é rancoroso: se você for bonzinho com ele, a cooperação será constante, e ambos sairão lucrando sem parar. Finalmente, ele não é um idiota: deixa claro que há conseqüências sérias para o ato de passar a perna nos outros só para levar vantagem. Essa combinação se mostrou tão vencedora que nenhuma simulação do Dilema do Prisioneiro até hoje conseguiu trazer à baila um programa que derrotasse o Olho por Olho.

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